O IOS (Intraoral Scanner, scanner intraoral) utiliza tecnologia óptica para registrar as superfícies dos dentes e dos tecidos e transformá-las em uma representação digital tridimensional.
Na prática, o equipamento realiza sucessivas aquisições enquanto percorre a cavidade oral. Essas informações são processadas pelo software e combinadas para formar progressivamente o modelo digital.
Mas o processo é mais complexo do que simplesmente “fotografar os dentes”.
Na ponta do scanner existem sistemas ópticos capazes de projetar e captar luz sobre as estruturas intraorais. A partir dessas informações, o sistema calcula características geométricas da superfície e constrói uma representação tridimensional.
Por isso, o resultado final não é uma fotografia convencional.
O scanner transforma informações ópticas em dados espaciais que podem ser reconstruídos digitalmente.
Diferentes tecnologias podem utilizar princípios ópticos distintos, mas todas precisam resolver o mesmo problema: reproduzir tridimensionalmente aquilo que está sendo capturado na boca (RICHERT et al., 2017).
Durante o escaneamento, novas imagens precisam ser relacionadas às informações que já foram capturadas.
Esse processo de rastreamento, ou tracking, permite que o sistema reconheça características previamente registradas e determine a posição das novas aquisições em relação ao modelo existente.
É por isso que a estratégia de movimentação do scanner importa.
O operador não está simplesmente passando uma câmera sobre os dentes. Ele está conduzindo um processo contínuo de aquisição e registro de dados.
À medida que o escaneamento avança, pequenas aquisições são combinadas para formar uma malha tridimensional.
O software então permite visualizar essa reconstrução praticamente em tempo real.
No Eagle IOS (Intraoral Scanner), esse processo transforma a captura das superfícies intraorais em um modelo digital que pode ser utilizado em diferentes aplicações clínicas e laboratoriais.
E aqui existe um ponto importante: a qualidade do modelo não depende exclusivamente do scanner.
A extensão da área escaneada, a anatomia, as características da superfície e a técnica utilizada pelo operador podem influenciar o resultado (ABDUO; ELSEYOUFI, 2018).
Porque nem toda superfície oferece a mesma quantidade de informação para o sistema óptico.
Saliva, sangue, superfícies muito reflexivas, áreas com pouca definição geométrica e tecidos móveis podem dificultar a aquisição e o registro.
Além disso, quanto maior a área escaneada, maior pode ser o acúmulo de pequenos erros ao longo da reconstrução.
Por isso, precisão não é uma característica absoluta do equipamento.
Ela precisa ser analisada considerando o contexto clínico e o protocolo de aquisição.
Esses dois conceitos aparecem constantemente nos estudos sobre scanners intraorais.
Trueness representa o quanto o modelo obtido se aproxima de uma referência considerada verdadeira.
Precision representa a capacidade de obter resultados semelhantes quando a mesma aquisição é repetida.
Um scanner pode apresentar boa repetibilidade e, ainda assim, apresentar algum desvio em relação à referência.
Essa distinção é importante porque evita tratar “precisão” como um único número capaz de resumir todo o desempenho de um equipamento.
Um exemplo interessante vem de um estudo in vitro publicado em 2026 que comparou cinco scanners intraorais na digitalização de preparos para endocrown, incluindo o Eagle IOS.
Os pesquisadores analisaram a trueness dos modelos em diferentes regiões do preparo e encontraram diferenças entre os sistemas avaliados.
O resultado traz uma reflexão mais importante do que simplesmente dizer qual equipamento “ganhou”:
O desempenho de um scanner precisa ser interpretado de acordo com a superfície, a extensão do escaneamento e a aplicação clínica para a qual ele será utilizado.
Ou seja, avaliar um scanner significa olhar para a tecnologia + o protocolo + o caso clínico, e não apenas para uma especificação isolada (MOTA et al., 2026).
Um scanner intraoral precisa:
CAPTURAR → informações ópticas da superfície
RASTREAR → relacionar novas aquisições às anteriores
RECONSTRUIR → formar o modelo tridimensional
EXPORTAR → disponibilizar os dados para outras etapas do tratamento
O Eagle IOS participa justamente dessa transformação: da anatomia presente na boca para uma representação digital que pode ser utilizada no planejamento e em diferentes etapas do fluxo clínico.
E talvez a melhor forma de entender a tecnologia seja esta:
Um scanner intraoral não simplesmente “tira uma foto dos dentes”. Ele coleta dados ópticos e os utiliza para reconstruir digitalmente a anatomia capturada.
A qualidade desse resultado depende tanto da tecnologia quanto de como, onde e para que ela é utilizada.
ABDUO, Jaafar; ELSEYOUFI, Mohamed. Accuracy of intraoral scanners: a systematic review of influencing factors. European Journal of Prosthodontics and Restorative Dentistry, v. 26, n. 3, p. 101-121, 2018.
MOTA, Iago Fonseca Silva et al. Intraoral scanning of endocrown preparation on natural teeth in an in-vitro setting: a segmented trueness analysis. International Journal of Computerized Dentistry, 2026. DOI: 10.3290/j.ijcd.b7003274.
RICHERT, Raphaël et al. Intraoral scanner technologies: a review to make a successful impression. Journal of Healthcare Engineering, 2017. DOI: 10.1155/2017/8427595.
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